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OGUM
YÊ
Ogum
é o orixá mais importante da cultura afro-brasileira. Filho de Oduduá
e Iemanjá, no Brasil identifica – se como São Jorge (daí a fama de
santo guerreiro). Seu ambiente preferido é qualquer lugar ao ar livre.
Com muita determinação, vence qualquer combate. Também é o senhor
das guerras e protege militares, os combatentes, além de todos os
profissionais ligados ao ferro, como serralheiros e metalúrgicos. Os
lavradores também recebem a forte proteção de Ogum.
Todos os filhos deste orixá são guerreiros e lutam por
liberdade e independência. Gostam de se divertir e rejeitam qualquer
atividade que os faça ficar parados por muito tempo. São amantes das
viagens e paisagens. Às vezes egoístas e briguentos, amam cegamente
quando se entregam de verdade.
CONHECENDO
MAIS SOBRE OGUM
Ogun é na África, em país Yorubá,
o deus do ferro, dos ferreiros e de todos aqueles que utilizam este metal:
agricultores, caçadores, açougueiros, barbeiros, marceneiros, carpinteiros,
escultores de madeira. Desde o início do século, os mecânicos, os motoristas de
automóveis ou de trens, os reparadores de velocípedes e de máquinas de costura
vieram se juntar ao grupo de seus fiéis.
No Brasil, Ogun é sobretudo conhecido como Deus dos
Guerreiros. Perdeu sua posição de protetor dos agricultores, pois os escravos,
nos séculos anteriores não possuíam interesse pessoal na abundância e na
qualidade das colheitas e, sendo assim, não procuravam sua proteção nesse
domínio. Como deus dos caçadores ele foi substituído por Oxossi cujo culto era
muito popular em Ketu, local de origem dos escravos
libertos que criaram os primeiros candomblés da Bahia.
No Brasil, Ogun é uma única divindade, tendo, porém,
sete nomes: 1. Ogun Mejê;
2. Ogun Alagmedé; 3. Ogun Onirê; 4, Ogun Alakorô; 5. Ogunjá; 6. Ogun Ominí, 7. Ogun Wari.
O nome Ogun Mejê teria a
sua origem na frase em Yorubá Ogun
Mejê Mejê Lodê Iré (Ogun
está nas sete partes do Iré"),
alusão a sete vilarejos, hoje desaparecidos, que teriam existido em volta de Iré. Este número sete, que lhe é associado, é representado
nos locais que lhe são consagrados por instrumentos de ferro forjado, em número
de sete, quatorze ou vinte e um, alinhados todos sobre uma haste de ferro:
lança, espada, enxadas, torquês, facão, ponta de flecha, enxó, símbolos de suas
atividades guerreiras, agrícolas, de ferreiro, de caçador, de escultor, etc.
A origem deste número sete. ligado a Ogun, e do
número nove em relação a Oyá-Yansã nos é relatada por
uma lenda onde Oyá era a companheira de Ogun Alagbedê (2.º da lista) - Ogun o ferreiro - antes de se tornar mulher de Xangô Ela
ajudava Ogun no seu trabalho, levava docilmente suas
ferramentas da casa para a oficina e, lá, ela manejava o fole para ativar o
fogo da forja. Um dia, Ogun ofereceu a Oyá uma vara de ferro, parecida com uma de sua propriedade,
e que tinha o dom de dividir em sete partes os homens e em nove as mulheres quepor ela fossem tocados, no decorrer de uma luta. Xangô
gostava de vir sentar-se à forja a fimde apreciar Ogun bater o ferro e, freqüentemente, lançava olhares a Oyá; esta, por seu lado, furtivamente o olhava. Xangô era
muito elegante, muito elegante mesmo, afirma o contador da história. Sua
imponência e seu poder impressionaram Oyá e, um belo
dia, ela fugiu com ele. Ogun lançou-se a sua
perseguição, encontrou os fugitivos e brandiu sua vara mágica. Oyá fez o mesmo e eles se tocaram ao mesmo tempo. E, assim,
Ogun foi dividido em sete partes e Oyá em nove, recebendo ele o nome de Ogun
Mejê (1.º da lista).
Ogun teria sido o filho mais velho de Odudúa, o fundador de Ifé. Era um
temível guerreiro que brigava sem cessar contra os reinos vizinhos. Guerreou
contra a cidade de Ará e destruiu. Apossou-se drrra
cidade de Iré, matou o rei, aí instalou seu próprio
filho no trono e regressou glorioso, usando ele mesmo o título de Oniré, rei do Iré, sendo chamado Ogun Oniré (3.º da lista).
Por razões que ignoramos, ogun
nunca teve direito de usar uma coroa, Ade, feita co
pequenas contas de vidro e ornada por franjas de missangas,
dissimulando o rosto, emblema de realeza par os Yorubás.
Foi autorizado a usar, apenas, um simples diadema, chamado Akorô,
e isto lhe valeu ser saudado como Ogun Alakorô (4.º da lista). Ogun
decidiu, após numerosos anos ausente de Irê,
voltar para visitar seu filho. Infelizmente as pessoas da cidade, celebravam,
no dia de sua chegada, uma cerimônia durante a qual os participantes não podiam
falar, sobre pretexto algum. Ogun tinha fome e sede.
Descobriu alguns potes destinados a vinho de palma, mas ignorava que estivessem
vazios. Ninguém o havia saudado ou respondido às suas perguntas. Ele não
reconhecia o local por ter ficado ausente durante muito tempo.
Ogun, cuja paciência é pequena, enfureceu-se com o
silêncio geral, para ele considerado ofensivo. Começou a quebrar, com golpes de
sabre, os potes e, logo depois, sem poder se conter, começou a cortar a cabeça
das pessoas mais próximas, até que seu filho apareceu, oferecendo-lhe as suas
comidas prediletas, tais como cães e caramujos, feijões regados com azeite de
dendê e potes de vinho de palma. Enquanto saciava a sua fome e a sua sede, os
habitantes de Iré cantavam louvores onde não faltava
a menção a Ogunjajá, que vem da frase Ogun je ajá
- "Ogun come cachorro"-
oque lhe valeu o nome de Ogunjá
( 5.º nome da lista). Satisfeito e calmo, Ogun
lamentou seus atos de violência e declarou que já vivera bastante. Baixou a
ponta de seu sabre em direção ao chão e desapareceu pela terra a dentro, transformando-se em Orixá.
No Brasil, as pessoas consagradas a Ogun usam colares
de conta de vidro azul-escuro e, algumas vezes, verde. Terça-feira é o dia da
semana que lhe é consagrado. Seu nome é sempre mencionado, por ocasião de
sacrifícios dedicados aos diversos Orixás, no momento em que a cabeça do animal
é decepada com uma faca - da qual ele é o senhor - e o sangue começa a
escorrer. É o primeiro, também, a ser saudado depois de Exú,
devidamente cumprimentado, é despachado. No momento da entrada dos Orixás
manifestados e vestidos com suas roupas simbólicas, é sempre Ogun que desfila na frente, "abrindo o caminho"
para os outros Orixás.
Esta primazia foi, no entanto, contestada por Obaluayé
e Nanan Buruku que, como
veremos mais tarde, se insurgiram contra ela e, para provar sua maior
antiguidade de vinda ao mundo, se recusaram a utilizar facas de ferro forjado
por Ogun, este"recém-chegado"
!!! Ogun é também representado por
franjas de folhas de dendezeiro, devidamente desfiadas, chamadas Mariwó. Era, segundo se diz, a roupa por ele usada,
em outros tempos, quando a tecelagem ainda não tinha sido inventada.
Estes Mareiwós, pendurados em cima da porta e das
janelas de uma casa, ou na entrada dos caminhos, representam proteções e
barreiras contra as más influências.
Na África, os locais consagrados a Ogun ficam ao ar
livre, na entrada dos palácios dos reis e nos mercados. São geralmente pedras
em forma de bigorna colocadas sob uma grande árvore, Araba,
( Ceiba Pentandra)
e protegidas por uma cerca de nativos, Peregún (Draceana fragans) ou de Akoko (Newboldia laevis). Nestes locais, periodicamente, realizam-se
sacrifícios de cachorros e de galos.
O culto de Ogun é bastante difundido no conjunto dos
territórios onde se fala o Yorubá e ultrapassa as
fronteiras dos países vizinhos, Gegês, no Daomé e no Togo, onde é chamado
de Gun. Em todos estes países, Ogun-Gun
é respeitado e temido. Tomá-lo como testemunha, no decorrer de uma discussão,
tocando com a ponta da língua a lâmina de uma faca, ou um objeto de ferro, é
sinal de sinceridade absoluta. Um juramento feito,
evocando-se o nome de Ogun, é mais solene e
digno de fé que se possa imaginar, comparável àquele que faria um cristão sobre
a Bíblia ou um muçulmano sobre o Corão.
A vida amorosa desse Orixá caracteriza-se pela instabilidade.
Ogun foi o primeiro marido
de Oyá-Yansã, aquela que se tornaria, mais tarde,
mulher de Xangô. Teve, também, relações com Oxun
antes que ela fosse viver com Oxossi e com Xangô. E, também, com Obá, a terceira mulher de Xangô. Teve numerosas aventuras
galantes quando partia para as guerras, tornando-se, assim, o pai de diversos
outros Orixás, como Oxossi e Oranmiyan.
Oranmiyan,
ao que se diz, fora concebido em condições muito particulares, dificilmente
aceitas por um geneticista, pois teria tido dois pais ao mesmo tempo...
De acordo com a lenda, Ogun, no decorrer de suas
expedições guerreiras, conquistou a cidade de Ogotum,
saqueou-a, dela retirando valiosos despojos. Uma prisioneira de rara beleza, Lakanjé, agradou-o ele não respeitou a sua virtude. Mais
tarde, quando a mesma mulher foi vista por Odudúa ( pai de Ogun) este mostrou-se
igualmente perturbado, desejou possuí-la, tornando a finalmente como uma de
suas mulheres.
Ogun, amedrontado, não revelou a seu pai o que havia
se passado entre ele e a bela prisioneira. Nove mês
mais tarde, Oranmiyan vinha ao mundo . Seu corpo,
entretanto, estava dividido verticalmente em duas dores: marrom de um lado,
pois Ogun possuía a cor escura, e amarelo do outro,
como Ododúa, que era bastante claro de pele.
Oranmiyan tornou-se um temido guerreiro, estabeleceu
aliança com Elempe, rei do país Tapa-Nupé,
casando-se com sua filha Torossí. Desta união nasceu
Xangô, do qual falaremos mais tarde. Oranmiyan fundou
o reino de Oyo, onde colocou sobre o trono Dada-Ajaka, seu filho mais velho, concebido com outra
mulher; instalou seu terceiro filho, Eweka, como rei
de Benin e tornou-se, ele próprio, Oni, rei de Ifé, depois da morte de Ododúa.
As saudações, Oriki, festa a Ogun
na África demonstram seu caráter aterrador e violento:
Ogun que tendo água em casa, se lava com sangue.
Os prazeres de Ogun são os combates e as lutas.
Ogun come cachorro e bebe vinho de palma.
Ogun, o violento guerreiro.
O homem louco com músculos de aço.
o terrível Ebora que se morde a si próprio sem
piedade.
Ogun que come vermes sem vomitar.
Ele mata o marido no fogo e a mulher à beira do fogareiro.
Ele mata tanto o ladrão como o proprietário da coisa roubada.
Ele mata tanto o proprietário da coisa roubada como aquele que critica esta
ação.
O arquétipo de Ogun é o das pessoas violentas,
brigonas e impulsivas, incapazes de perdoarem as ofensas de que foram vítimas.
Das pessoas que perseguem energicamente seus objetivos e não se desencorajam
facilmente. Daquelas que nos momentos difíceis triunfam onde qualquer outro
teria abandonado o combate e perdido toda esperança. Das que possuem humor
mutável, passando furiosos acessos da raiva ao mais tranqüilo dos
comportamentos. Finalmente, é o arquétipo das pessoas impetuosas e arrogantes,
daquelas que se arriscam a melindrar os outros por uma certa falta de discrição
quando lhe prestam serviços, mas que, devido à sinceridade e franqueza de suas
intenções, tornam-se difíceis de serem odiadas.
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