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A mais antiga das
divindades e primeira esposa de Oxalá têm sua figura associada à
maternidade. É que Nana teve três filhos: Iroko, Oxumaré e Obaluaiê.
Surgiu junto com a criação do mundo, sendo também considerada deusa da
água, ale, de estar associada a pessoas idosas. Seu elemento principal é
a lama, principalmente dos rios e dos mares. No Brasil, é associada a
Sant’Anna. Nos cultos da umbanda é chamada carinhosamente de vovó. Tem
temperamento rígido e não tolera desobediência. Assim, é capaz de
castigar, com a intenção de educar, os que são contra seus princípios.
Seus filhos são sérios, introvertidos e calmos também gostam de ajudar
a todos, sempre agindo com bastante gentileza e dignidade.
CONHECENDO MAIS
SOBRE NANA
Naná
Buruku é conhecida no Brasil como a mãe de Obaluayé - Xapanan. É
sincretizada com Santana. Os colares de contas de vidro usados por aqueles
que lhe são consagrados são das cores branca, vermelha e azul. Segundo
uns, o seu dia é a segunda-feira, juntamente com seu filho Obaluayé;
segundo outros, é o sábado, ao lado das divindades das águas. Seus
adeptos dançam com a dignidade que convém a uma senhora idosa e respeitável.
Seus movimentos lembram um andar lento e penoso, apoiado num bastão
imaginário que os dançarinos, curvados para a frente, parecem puxar para
si. Em certos momentos, viram-se para o centro da roda e colocam seus
punhos fechados, um sobre o outro, num gesto que vimos em Tchetti, na África,
e do qual falaremos a seguir. Quando Nanan Buruku se manifesta numa de
suas iniciadas é saudada pelos gritos de Salúba! Fazem-lhe sacrifícios
de cabras e galinhas de angola, sem utilizar facas, e oferecem-lhe pratos
preparados com camarões, sem azeite, mas bem temperados.
É considerada a mais antiga das divindades das águas - não das ondas
turbulentas do mar, como Yemanjá, ou das águas calmas dos rios, domínio
de Oxun - mas das águas paradas dos lagos lamacentas dos pântanos. Estas
lembram as águas primordiais que Odudúa ou Oranmiyan ( segundo a tradição
de Ifé ou de Oyó) encontrou no mundo quando criou a terra. Este muito
simbolizaria a existência de uma primeira civilização, representada por
Nana Buruku, civilização que existia antes da chegada de Odudúa e de Ogum
que trouxeram com ele o conhecimento do ferro e de suas utilizações. Nana
Buruku teria, aqui, o mesmo papel que Yeyemowo, a mulher de Oxalá - rei
dos Igbos estabelecido perto de Ifé, antes da chegada de Odudúa -
aproximando-se, assim, da lenda conhecida no Brasil, da existência de um
casal Oxalá - Nanan Buruku. Nana Buruku é uma divindade muito antiga na
África. A área de influência de seu culto é bastante vasta e aparece
se estender à leste, para além do Niger, palos menos até o país
Tapa-Nupé; a oeste, ultrapassando o Volta, tinge a região dos Guangs e
da nação Gomba. Se o culto de Nanan Brukung tem tendência a se
confundir com o de Xapanan-Obaluayê -Omulu, na direção do leste, ele se
apresenta bem diferenciado, no oeste, onde seu nome se pronuncia Nanan
Burukung. O local da demarcação entre as duas espécies de Nana parece
Zumé, Tchetti e Atakpamé, dão, de maneira unânime Siadi ou Schiari (
na região de Adelé, no Gana atual, próximo à fronteira de Togo) como
meta de peregrinação ao lugar de origem de Nana Buruku ou Brukung, Em
Savé, há também indicações de ligação entre Nanan Brukung e o país
Bariba. Tive a ocasião de assistir em Tchetti, no Daomé, próximo de
Atakpamé, no Togo, ( ponto de partida para a peregrinação ao Adelé ),
a uma série de danças dedicadas a Nana Brukung. As dançarinas, de de
idade avançada, evoluíam aos sons de tambores, Apinti, e de sinos de
percussão. Todas elas traziam na mão um cajado salpicado de vermelho,
como os usado pelos peregrinos. A dança consistia num lento desfile das
iniciadas de Brukung e parecia rememorar a peregrinação por elas
realizadas. Iam apoiadas em seus bastões, andando um pouco de lado, com
passo lentos e circunspetos. Sua atitude imitava a fadiga de uma longa
viagem. Paravam de vez em quando, inclinavam-se para frente e estreitavam
o seu bastão, entre suas mão fechadas, uma sobre a outra, num gesto que
lembrava o dos iniciados de Nana Buruku, no Brasil. As saudações feitas
a essa divindade resumem bem as suas diversas características:
"Proprietária de um cajado. Salpicada de vermelho, sua roupa parece
coberta de sangue. Orixá que obriga os Fon a falar Nagô. Minha mãe foi
inicialmente ao país Baribe. Água para que mata de repente. Ela mata uma
cabra sem utilizar a faca" Nana Buruku é o arquétipo das pessoas
que agem com calma, benevolência e gentileza. Das pessoas lentas no
cumprimento de seus trabalhos, e que julgam ter a eternidade à sua frente
para acabar seus afazeres. Elas gostam de crianças e educam-nas, talvez,
com excesso de mansidão pois têm tendências a se comportar com a indulgência
de avós. Agem com tal segurança, e tão majestosamente, que desviam os
enganadores, inspirando-lhes um saudável terror, o que os impede de
envolvê-las em seus projetos maldosos. Suas reações bem equilibradas e
a pertinência de suas decisões as mantêm sempre no caminho da sabedoria
e da justiça
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